A história do Ana Dias

Segundo o Sr. Ademar, o Ana Dias era um curió de ponto (ele não se juntava com outros curiós) e foi caçado preto por seu pai Augusto Silvestre Coutinho (à época com 52 anos) em Miracatu. Em uma viagem para a cidade de Ana Dias, quando foram almoçar, o Ana Dias fugiu quando sua gaiola caiu de cima da mesa do almoço. Eles passaram dois dias para recapturá-lo.

O curió Ana Dias ficou conhecido por esse nome por ter sido capturado em 1955 ou 1956 no Distrito de Ana Dias, Município de Itariri no Litoral de São Paulo. Era negaça (caçador) e grande repetidor no seu canto original. Ele chamou atenção por ser um grande repetidor, dotado de uma belíssima voz, e por sua facilidade em aprender e incorporar ao seu canto novas notas de outros curiós.

Ele foi adquirido pelo Sr. Luiz Pintor e foi levado para São Vicente (já preto). Teve diversos proprietários que procuraram, com ele, aprimorar as notas do canto “Praia Grande”, canto que só veio a ser aperfeiçoado por volta de 1960. Na época era cantado o estilo “Pedro Taques”, que tinha as notas “quim-quim” e “batidas de praia”. Falando em notas, o Ana Dias assimilou de um curió chamado Jurubatuba (capturado próximo a cachoeira do Rio Jurubatuba) a invertida de canto e a nota Samaritá “uil-uil” (característica herdada dos curiós da região vizinha à Estação Ferroviária de Samaritá).

O Sr. Walter Moretti conheceu o Ana Dias quando o Sr. João Massarella, de São Vicente, era seu dono. Ao ouvir seu extraordinário canto, rico em melodia e voz, o Sr. Watter Moretti teve o pressentimento de que estava diante de um futuro campeão, motivo pelo qual o adquiriu em janeiro de 1964.

O disco gravado com o canto do Ana Dias teve a finalidade de difundir o canto “Praia Grande Clássico”. Até hoje esse disco serve para ensinar e aperfeiçoar o canto de seus “alunos”. O disco também foi uma maneira de homenagear todos os proprietários do Ana Dias, que sempre souberam zelar pela sua preservação e pelo seu maravilhoso canto. Até 1964, o Ana Dias pertenceu aos senhores Luiz Pintor, Lucas (Chocolate), Zé Galinheiro, Germano, André, Joel, Nestrói e João Massarella. De 1964 em diante os seus donos foram Walter Moretti, Sebastião Ramos, Antonio Scarabeleni, Dr. Licínio Hilmar de Oliveira Arantes e Carlos Checoli.

Em suas muitas mudanças de donos, o Ana Dias passou várias vezes pelas mãos do Sr. Walter Moretti, que em 26/10/1984 o adquiriu mais uma vez, demonstrando a saudade e a grande estima por aquele maravilhoso pássaro, que recebeu o anel aberto nº 1.534/IBDF/77 ao ser anilhado.

O canto “Praia Grande” na sua “voz” do Ana Dias era perfeito, motivo pelo qual se classificava como “Clássico”. O som melodioso do “Praia Grande” nos lembra os acordes de um violino.

O inigualável curió Ana Dias, que emocionava os amantes do Canto Praia Grande, morreu em 22 de abril de 1987, aos 32 anos de idade, na posse do Sr. Walter Moretti, na cidade de Jundiaí.

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