A história do Miramar

O Curió Miramar foi um pardo comprado no Km 14 de Pedro Taxes, litoral Sul de São Paulo, por alguém que não sei quem foi (Não foi criado na região de Ribeirão Preto/SP), posteriormente adquirido pelo Pedrão (conhecido como Dr. Pedro), tendo em vista a roupa branca que usava nos torneios, pois era um funcionário de saúde, se não me engano, de um Posto de Saúde em São Paulo, onde morava no Bairro Santa Cecília. No início pensei que o Dr. Pedro fosse de Campinas/SP, estava enganado. Uma de suas primeiras apresentações, se não a primeira, foi no segundo ou terceiro torneio de Araras/SP. Ele foi comprado, pelo Pedrão, como já disse do vulgo “Boi” (Reinaldo Jacintho de Souza) de Ribeirão Preto/SP. Foi um dos maiores repetidores da época, ganhava de muitos outros curiós, melhores de canto, em razão de número de repetições, que era muito valorizada na nota final nos torneios.

Não era um clássico dos tempos modernos. O Pedrão criou com ele. As fêmeas naquela época não eram valorizadas. A introdução da sua genética nesta região se deu basicamente através do curió “Sete”, seu filho, do Garoni de Jundiaí/SP. Este Curió “Sete” também foi um grande repetidor. O “Boi”, ou Reinaldo Jacintho de Souza foi dono, também, do “Xodó”, inclusive com disco de vinil de 1976. Acabo de saber que um dos maiores preservadores desta raça, do “Miramar”, é o Isair de São Paulo/SP, que faz parte deste grupo.

Com intuito de melhor esclarecimento, sempre com a as melhores das intenções e humildade, desprovido de espírito de competição, mas com a intenção de compartilhar conhecimentos, e acho que é esta a principal razão do grupo, sem querer polemizar e respeitando naturalmente as opiniões contrárias, venho esclarecer o seguinte: Segundo relatos de pessoas de conheceram o curió “Miramar”, este não tinha nenhuma das características de um Km 14, que se caracterizava por uma voz cheia, grossa, com as batidas típicas de um praia (Tué Tué) e com o famoso “flat” (gancho ou ligação – té té). E por causa destas características, era chamado de corneta ou corneteiro. E por isso o curió “Miramar” podia ser de qualquer lugar, menos desta região da Praia Grande/SP. À época, em um torneio na cidade de São Paulo/SP, onde os juízes eram os Srs. Wandick, de Santos/SP; Joaquim Português e Haroldo, (provavelmente, e com a graça de Deus, os três ainda estão vivos), este curió foi desclassificado, pois tinha todas as características de um central, com batidas e o estribim de Paracambi. O curió “Xodó”, este sim era proveniente da cidade de Itariri, litoral sul do Estado de São Paulo. E saiu de Santos como um grande repetidor, porém, tinha um canto mateiro, com passagem do lugar de sua origem, e adquiriu seu canto melodioso, com voz cheia e andamento lento em São Paulo-SP, onde foi rebatizado com seu novo nome de “Xodó”, pois aqui tinha o nome de “Rock Roll”. Espero ter naturalmente acrescentado algo às discussões, porém, sempre no aguardo de novas participações, e claro que fica a porta aberta para opiniões contrárias.

Conheci também o Curió “Miramar” e conversei com pessoas que também conviveram com este pássaro, inclusive tiveram em seus criadouros filhotes e descendentes. Essas pessoas são o Odair de Jundiaí/SP e o Salvador Armud, também Juiz do canto clássico naquela época e que chegou a julgar em algumas oportunidades esse curió, e o Garoni, que através do Odair, soube ter sido dono do Curió “Sete”, filho do “Miramar”. A origem no km 14 me foi prestada pelo Salvador, que conhecia muito bem o “Boi” e o Pedrão.

Escrito por Edgard - Campinas/SP - Criadouro de Curió Soberano.

 

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